scared or surprised (de 2007)
Novembro 7, 2009
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“Há momentos na vida em que tudo parece tão perfeito. Há dias que nos fazem sentir as pessoas mais felizes do mundo. Poucos mas há. E pelas coisas mais insignificantes. Pensaríamos que apenas as grandes coisas que por tanto ansiávamos eram aquelas que nos deixavam felizes, mas depois apercebemo-nos que apenas pequenos momentos nos deixam com um sorriso enorme nos lábios.
Muitas vezes temos medo de nos sentir assim. Medo, porque isto poderá ser apenas uma falsa realidade. Medo porque nunca queremos que esta sensação acabe. Medo porque a queda será maior. Mas ao mesmo tempo, estamos tão felizes que nos queremos sentir assim por muito tempo e queremos agarrar essa felicidade de tal maneira que nunca nos escape.
Hoje estou num desses dias. Feliz. Sinto-me tão contente. E por vezes é difícil explicar porquê. Sempre pensei que o fruto da felicidade fossem aqueles grandes momentos ou os grandes desejos ou sonhos concretizados. Mas há medida que cresço vou-me apercebendo que não é bem assim e que normalmente a felicidade surge das pequenas coisas.
E sim. Há razões para tal contentamento, mas não são aquelas que algum dia esperassem que fossem. Há razões para nada hoje me conseguir deitar abaixo e para cada minuto que passe pareça ainda mais maravilhoso. Estou… feliz. E em parte não percebo porque me sinto assim. Mas sinto. E é nesses dias, que me apercebo das coisas boas da minha vida (…)
Tive uma noite linda. Adorei aquela companhia que me faz sentir tão bem. Pois ouvir-me falar 4 horas seguidas não é para todos, mas ele atura-me. E eu adoro-o por isso. Com ele… não sei. Gosto (:
(…)
Mas depois… ao fim do dia. Há sempre aquele momento. Um momento que por mais insignificante que seja, magoa tanto. Magoa pois ainda há horas atrás esse momento era completamente o inverso. E magoaste-me. Tanto. Porque não sei o que é isto… e com essas atitudes pões-me ainda mais confusa. Ora num momento estás completamente dedicado a mim e no outro já estás a dizer que não estás com paciência.
E lá se vai aquela felicidade perfeita. É substituída pela dor e pela falta de confiança. Porque quando queres consegues ser mesmo… tão mau. Porque… não sei. Mas eu gosto tanto de ti… e de repente, mudas completamente o teu papel. Não te percebo.
A felicidade perfeita é apenas uma ilusão. Não existe. Nem nunca irá existir. A dor, essa sim é real. E é isto que eu sinto quando penso em ti. A dor supera a felicidade. Sempre.”
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(02/07/07 – um dos primeiros textos sobre o meu namorado.)
re-escrever-te
Novembro 3, 2009
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narrador: cinza
- sinto que te perdi de mim. perdi-te num desses caminhos que te levam longe e longe. desapareceste rodeada de uma luz amarga que era a falsa esperança e o conformo de uma solução melhor. ainda agora te dou a mão e sinto os teus dedos entrelaçados nos meus. relembro os calos novos e as unhas roídas pelo aparelho gasto e desenho-as em papel vegetal para ter à janela quando bate o sol. olho para elas e toco-lhes ao de leve. dou-te a mão. as feridas não saram sem o teu abraço e as infecções percorrem-me o corpo frágil. já não tenho ninguém que me esconda as nódoas negras e ele não me deixa utilizar o seu velho pó-de-arroz. abate-se-me o sentimento de saudade quando percorro os caminhos que contigo pisei, o ar ainda com o mesmo cheiro às tuas gargalhadas sonoras que contagiavam a minha alma quase morta. vagueio por entre o vazio que deixaste. oiço o piano nos meus ouvidos e procuro-te nas sombras dos recantos em que te pedi segredo. um dia, lembrei-me que não eras tu que eu amava mas sim outrem, o mesmo outrem que me impinge a luta desesperada de sobrevivência. ainda o amo e sempre irá fazer parte de mim. ele está quando tu abandonas a cena, aflita por algo menos dramático e real. lembrei-me que não eras tu, mas que mesmo assim me acompanhas a figura que sou, enquanto ando sem saber por onde ando. tal como tu, tenho esta necessidade de te proteger e ajudar quando cais na lama. acalmo-te a mente e suspiro-te que não és louca, mas sim diferente. deixo que o meu afecto por ti se entranhe na tua carne, tal como tu o fazes comigo. preciso de ti. preciso muito de ti. sei que me vês como uma criança que cresceu demasiado rápido, um rapazinho indefeso que mal se consegue defender. tu em contrapartida cresceste tão lentamente que ainda agora te confundes com quem és, não sabendo distinguir uma parte de ti com a outra. não és louca, meu amor. és quem me dá a mão mesmo sabendo que estou longe e eu sou quem te empurra para a realidade maior daquilo que és tu. ele também tem saudades tuas, mesmo que não o diga, não te odeia. odeia-me sim a mim, por te ter tanto carinho e te necessitar tanto. preciso tanto de ti. ainda agora, quando pressinto que andas perdida, que não te consegues encontrar, lembro-te que estou sempre contigo. fechas os olhos. fecha os olhos, meu amor e vê de novo o meu rosto criança. vê de novo a ingenuidade de que sou feito e leva-me nos teus braços. protege-me e recorda-te que há quem seja mais frágil que tu. toma conta de mim e tira-me as dores. serve-me leite quente à noite e oferece-me gomas já secas na tua carteira. aborrece-me com sermões zangados e maravilha-me com sorrisos sinceros. veste-me com ternura as roupas velhas que encontras e adormece-me nos lençóis da tua cama quente. preciso tanto de ti. preciso de ti. preciso de ti.
para onde foste? porque teimas em esquecer-me? porquê.
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(03/11/09 – é tão, TÃO bom, voltar a escrever. faz-me tão bem. meu cinza… )
MÃE
Novembro 1, 2009
- sinto falta do leito do seu colo.
quando perdurava na noite, aquele abraço quente, próximo do fogo da lareira, quando ela me trazia para o sono do fim do dia e murmurava carinho por entre os dedos que afagavam suavemente o meu cabelo.
eram abraços ternos.
os quais uma criança desconhece o significado; abraços que se esfumaram por entre o fumo de um escape de automóvel que fugia do quotidiano insuportável que era a sua vida.
inspirava-me na minha escrita jovem e ensinava-me as sílabas da história mostrando-me os dotes de ser mulher forte, incapacitando o meu poder de argumentação frágil.
invejo o seu poder de persuasão e as memórias de uma casa farta de pessoas; imito-lhe a capacidade do olhar feroz e o sarcasmo idêntico que corre em ambas as veias; choro no seu ombro que enfrenta o arremesso hostil das minhas palavras injustas.
gostaria que transpirasse orgulho pela filha que carregou no ventre.
se conseguisse,
soletrar-lhe-ia, todos os dias, um novo verbo de afecto, por entre as mágoas doentes dos confrontos diários e juntava-me a ela, perto de uma lareira quente, afagando-lhe as madeixas loiras e segredando entre dentes:
- amo-te mãe.
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(25/10/09 – o texto mais recente que escrevi. a universidade rouba-me tempo e personalidade.)
o que és.
Agosto 23, 2009
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- És a pedra no meu sapato; És o vento num cabelo arranjado; És a mossa num carro usado; És o erro ortográfico no livro novo; És a agulha num palheiro; És as rugas num rosto quarenteno; És a merda que pisamos pelo caminho; És a unha que encrava no dedo mindinho; És o cheiro enjoativo num hospital; És a fonte horrível num quintal; És a mosca num dia quente de Verão; És pastilha debaixo da sapatilha; És o vírus no computador; És a porcaria enfiada num contentor; És a bola de futebol furada; És a razão do palitar; És a negativa num exame; És a chuva-molha-parvos num dia de sol; És a doença que nos põe de cama; És o hálito que desespera por pastilha-de-mentol; És a celulite nos nossos corpos; És a mancha de nêspera na alcatifa; És a acne que tapa os poros; És o lobo-mau no Capuchinho Vermelho; És quem ataca o cordeirinho; És o desgaste na madeira; És a ferrugem no ferro; És essa merda toda, que me consome inteira.
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(10/04/08 – estive a ler textos antigos sobre ti e recordei-te. estás tão longe.)
untitled iv
Agosto 21, 2009
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- she stood there in her big white dress, silken with a fine texture of lily flowers. her amazing gown waved goodbye with the wind, as she stood there, unmoving, reading her ex-future husband’s syllables – full of promises of eternal love. the end of her dress dripped into the pavement – a dark red trail was making its way through the rough cement.
if you looked closely at her face, it showed no emotion except for the unkempt makeup, ruined by the already vanished salty tears. her eyes showed you nothing, nothing at all. her neatly arranged hair was now tousled and messy. her eyes showed you nothing, as she stood there, apathetic to the world around her.
all she could see was red. red. red.
and a corpse.
her ex-future husband’s corpse was lying there, untouched, as the edges of her once beautiful dress slightly stroked his features.
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(08/08/09 – a última coisa que eu escrevi. mas estou a preparar-me para escrever algo especial. preciso de tempo.)