tirer la couture ii

Julho 5, 2009


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levou-a para o jardim à noite, onde as flores não desabrochavam.

deu-lhe a mão durante todo o caminho, sorrindo por entre as linhas de palavras carinhosas. nas árvores não havia vento, e o abraço que lhe deu não foi apenas para o conforto. deu-lhe um beijo sobre os olhos fechados e limpou-lhe as lágrimas com a língua. pegou-lhe na face e prometeu-lhe absurdos não cumpridos. proferiu um amo-te e encheu-lhe o coração de amor. ela sorriu por entre a água salgada e deixou que a esperança invadisse o seu peito. retribuiu-lhe o abraço e entrelaçou-se na sua mão. beijou-o nos lábios e proferiu-lhe agradecimentos não merecidos.

‘já passou’.

entretanto, era possível sentir o suspiro do jardim que repetia esta mesma cena de desculpas descaradas, à tempo indeterminado, onde o coração partido dela permanecia esquecido, por entre as flores que não desabrochavam.

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um sopro vazio por dentro, um grito sufocado na garganta. os pulmões enchem-se de água. se é salgada ou doce, já nem ela consegue dizer. uns braços já sem forças, umas pernas já adormecidas. por mais que tente nadar contra a maré, novas ondas lhe partem o corpo – como um trapo velho, que queima esquecido por entre multidões de gente. uns olhos já cegos, mudos e surdos. a água empurra-a para o fundo,

      o fundo, o fundo,

um fundo que não tem fim. um fundo que não tem fundo. e água faz força. e faz força. pedaços do seu corpo nadam em seu redor, quando este se parte, no meio da viagem até ao fundo. está escuro e ela já não encontra a força e o poder para encontrar qualquer luz.

deixa de nadar.

entrega-se à agua salgada ou doce.

talvez no fundo, a única luz que tinha não a queime tanto.
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(18/06/09 – mais da minha colecção ‘tirer la couture’. ando sem inspiração.)

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