grito alto!

Julho 13, 2009


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      por entre lágrimas de sal esqueço a ternura
      que era olhar para os teus olhos vivos,
      enquanto soluços aprisionantes abalam e
      fazem tremer o meu corpo gasto pelo tempo,
      o mesmo corpo que a ti entreguei.
      a garganta desmancha-se em palavras
      abafadas pelo grito agonizante do meu peito.
      grito alto!
      grito alto de dor!
      aborreço o meu espírito com leituras antigas
      fazendo-me passar por alguém que já não sou,
      o mesmo alguém que se entregou a ti,
      esse alguém a quem tu desprezaste, na qual
      forma frágil tu pegaste e esmagaste por entre
      injustiças imperfeitas que me destruíram o peito.
      grito alto!
      grito alto de dor!
      recordo-te agora no sono da insónia e
      no escuro que já não tem a tal pequena luz.
      a minha pequena luz.
      a luz que a ti fiz tudo para entregar, a luz
      que com defeitos, tu quiseste apagar.
      ao ler palavras mal feitas e versos incoerentes
      penso mesmo que esse ódio que sentes
      me corroeu as articulações não me deixando
      escrever verdadeiramente aquilo que sinto,
      pois eu grito,
      grito alto!
      grito alto de dor!
      grito alto por um amor que sempre te tentei dar,
      um amor sem forma nem cor, o qual
      não quiseste aceitar, pois esses mesmos gritos
      ensurdeciam-te, magoando-te os ouvidos que
      nunca ouviram realmente, tudo o que eu tinha
      para te dizer. grito alto!
      grito alto de dor!

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(13/07/09 – dedicado ao Simão.)

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