You are currently browsing the category archive for the 'poemas: non-fiction.' category.
~
- por entre lágrimas de sal esqueço a ternura
que era olhar para os teus olhos vivos,
enquanto soluços aprisionantes abalam e
fazem tremer o meu corpo gasto pelo tempo,
o mesmo corpo que a ti entreguei.
a garganta desmancha-se em palavras
abafadas pelo grito agonizante do meu peito.
grito alto!
grito alto de dor!
aborreço o meu espírito com leituras antigas
fazendo-me passar por alguém que já não sou,
o mesmo alguém que se entregou a ti,
esse alguém a quem tu desprezaste, na qual
forma frágil tu pegaste e esmagaste por entre
injustiças imperfeitas que me destruíram o peito.
grito alto!
grito alto de dor!
recordo-te agora no sono da insónia e
no escuro que já não tem a tal pequena luz.
a minha pequena luz.
a luz que a ti fiz tudo para entregar, a luz
que com defeitos, tu quiseste apagar.
ao ler palavras mal feitas e versos incoerentes
penso mesmo que esse ódio que sentes
me corroeu as articulações não me deixando
escrever verdadeiramente aquilo que sinto,
pois eu grito,
grito alto!
grito alto de dor!
grito alto por um amor que sempre te tentei dar,
um amor sem forma nem cor, o qual
não quiseste aceitar, pois esses mesmos gritos
ensurdeciam-te, magoando-te os ouvidos que
nunca ouviram realmente, tudo o que eu tinha
para te dizer. grito alto!
grito alto de dor!
~
(13/07/09 – dedicado ao Simão.)
~
já não o vês quando olhas em frente -
- ele saiu do seu corpo.
a matéria que o constituía esfumou-se; um fumo branco com cheiro diferente
- ele saiu do seu corpo.
morreu – fugiu. mudou.
já não reconheces o sorriso por detrás dos seus olhos.
as mãos estão frias – a cicatriz? onde está?
- ele saiu do seu corpo.
o fumo percorre-te as feições até se infiltrar nos teus pulmões.
- [saudade.
sufoca-te.
já não consegues sentir a sua presença. dor.
- ele saiu do seu corpo.
~
(de 2008)
(narrador: eu – laura)
~
gostava que voltasses para mim,
para junto do meu abraço escasso,
cujos braços raramente andavam em
teu redor.
era bom que voltasses e
reemergisses da altura da terra seca na
qual te puseram, sob o olhar
esquecido dos teus queridos.
essa mesma terra, a mesma
terra em que sepultaram os corpos
antes de ti encheu-se de poeira molhada;
uma chuva ácida que nos
derreteu as lágrimas e queimou as palavras.
sucumbiu o teu corpo já tão
débil e afastou-te das míseras linhas de
sorrisos quentes e da falta da palavra
amo-te.
recordo-te agora na dor da tua ausência, e
na falta que nunca fizeste, sabendo que
raramente sentias os meus braços no teu corpo
e o sentimento verdadeiro nos meus olhos.
gostava que voltasses para mim,
avó.
~
25/05/09 – inspirado pela morte recente de um pai de uma amiga minha. o meu primeiro poema em quase dois meses.
(narrator: me – laura)
~
-
i like your hands.
they’re veiny and wrinkly,
where bones scrap
against the red skin.
slim fingers with round
tips and nail bites
hold the brown necklace
with foul smell given
by false love.
-
i like your hands.
they match the
soft raw lips – they’re warm.
they’re always warm as
you crack the poor bones
and sigh with
false love.
-
i like your hands.
they touch various
bodies and blank spaces
passing heat and
tender softness,
masked by the
indifference of
false love.
~
(11/02/09 & 12/02/09 – written during history class and finished at home. yes, yes! something new is on it’s way, i promise!)
(narrador: laura)
~
prende-nos no tempo, imobilizando sentimentos
e feições. pode assustar-nos quando
a encontramos já velha e enrugada
– e vemos a nossa face antiga, a sorrir por entre os olhos
ainda tão novos e ingénuos.
éramos tão novos.
um retrato de um segundo importante e de
um momento especial, onde as palavras não
falam mais alto que os actos; onde os actos não falam mais
alto que a imagem que temos um do outro.
éramos tão novos.
tenho vontade de te prender num papel,
em que as frases e as sílabas não nunca serão
suficientes para traçar as feições vincadas
do teu rosto e o sorriso meigo dos teus lábios.
quero
e quero
quero prender-te numa imagem perfeita, que não
se borrate com os rabiscos da saudade e as lágrimas da mágoa que te causei.
vou prender-te no tempo, num segundo importante e
num momento especial,
e irei juntar-me a ti naquele papel-retrato
formando a fotografia que um dia irei tirar.
~
(15/04/09 – em 10 minutos; meu deus, preciso mesmo de escrever alguma coisa de jeito…)
